PENSANDO UM POUCO SOBRE O ATO DE LER E AS
PRÁTICAS ATUAIS DE LEITURA
Maria Auxiliadora da Silva Cavalcante
CEDU/PPGE/UFAL
O que é a leitura? Como
ocorre a leitura? Como eu leio? Será que todo muno lê da mesma forma? Que tipo
de atividade é a leitura?
A atividade de
leitura é um processo através do qual o leitor realiza um trabalho ativo de
compreensão e interpretação do texto, a partir de seus objetivos, de seu
conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, bem como a partir dos recursos
lingüísticos presentes no texto, do seu conhecimento de mundo, do contexto no
qual está inserido o texto, entre outros. Não se trata de extrair informação
decodificando letra por letra, palavra por palavra ou mesmo frase por frase.
Trata-se de uma atividade que envolve estratégias de seleção, antecipação,
inferência, pressuposição e verificação, sem as quais não é possível
proficiência.
Conforme Magda Soares (2002), na perspectiva do
letramento, a leitura é
definida como um conjunto de habilidades lingüísticas e psicológicas que se
estende desde as habilidades de decodificar palavras escritas até a capacidade
de compreender textos escritos. Abrangendo desde a habilidade de traduzir em
sons sílabas sem sentido, a habilidades cognitivas e metacognitivas, incluindo:
a habilidade de decodificar símbolos escritos; a habilidade de captar
significados; a capacidade de interpretar seqüências de idéias ou eventos,
analogias, comparações, linguagem figurada, relações complexas, anáforas;
habilidade de fazer previsões iniciais sobre o sentido do texto, de construir
significado combinando conhecimentos prévios e informação textual, de monitorar
a compreensão e modificar previsões iniciais quando necessário, de refletir sobre o significado do que foi lido,
tirando conclusões e fazendo julgamento sobre o conteúdo.
Um leitor consciente procura selecionar, dentre os textos
que circulam socialmente aqueles que podem atender a suas necessidades,
conseguindo estabelecer os procedimentos adequados para abordar tais textos.
Isto quer dizer que para tirar proveito da leitura é preciso saber ler nas
entrelinhas, identificando, a partir das marcas lingüísticas, elementos
implícitos, estabelecendo relações entre o texto e outros textos já lidos, bem
como entre o texto e a sua leitura do mundo (PCN, 1997, p. 70).
Outra autora
que também investiga a questão do ato de é Kleiman (1992). Para quem, a leitura
é uma atividade complexa e cognitiva, estando ligada a processos e estratégias
que o leitor se engaja para construir o sentido de um texto. Estas estratégias
são classificadas em:
a)
Seleção – o leitor seleciona entre todos os
indícios fornecidos pelo texto os mais úteis, desprezando os irrelevantes.
b) Antecipação
– o leitor utiliza todo seu conhecimento disponível e seus esquemas para
predizer o que virá no texto e qual será o seu significado, com base em
informações explicitas e em suposições.
c) Inferência
– o leitor complementa a informação disponível baseando-se em elementos que
não estão ditos no texto (implícito), é o que se lê mas não está escrito,
utilizando o conhecimento conceptual, lingüístico e social que já possui.
d)Verificação – o leitor checa
se o significado inferido ou antecipado está coerente com sentido propagado
pelo texto.
e) Decodificação
– é a mais simples e presente na escola, geralmente, não está preocupada
com o movimento de significação que o texto suscita.
É interessante ressaltar que utilizamos
todas as estratégias mais ou menos ao mesmo tempo, porém sem termos a
consciência disso. A leitura fluente envolve uma série de estratégias na busca
do sentido, rapidez e proficiência, dentre as quais:
Ø
percepção
que é um ato individual de apreensão do objeto através dos olhos Sendo
que o movimento ocular é um movimento sacádico[1],
não-linear, progressivo e regressivo. O que significa dizer que grande parte do
material lido, na verdade, é adivinhado ou inferido; daí a leitura ser
considerada um jogo de adivinhações. (KLEIMAN, 1992)
Ø
memória que organiza-se em: memória de trabalho, na qual o
material visual é apreendido,
interpretado, estocado e organizado em unidades significativas; memória intermediária, onde torna acessíveis os conhecimentos
relevantes para a compreensão do texto; e memória de longo prazo que organiza o conhecimento e as regras para o
funcionamento e a organização do material percebido.
Ø
Processamento é a atividade pela qual as
palavras, unidades discretas, distintas, são agrupadas em unidades ou fatias
maiores, também significativas, chamadas de constituintes da frase. (KLEIMAN,
1995)
Ø
Componentes textuais (cotextual) são
elementos formais que concretizam os significados, mediante relações coesivas
entre elementos sucessivos, seqüências no texto, que servem para construir a
coerência local.
A observação dos tópicos seguintes
facilita o aproveitamento da leitura:
·
Determine um objetivo a ser alcançado através da
leitura alcançar. Esse fato ajuda a selecionar a leitura.
·
Quando for iniciar a leitura de um texto,
dedique alguns instantes a análise do título: olhe para o título e levante
algumas hipóteses sobre o conteúdo do texto a ser lido com base no título.
·
Faça uma primeira leitura para ter contato com a
obra, sem se preocupar com o sentido exato de cada palavra. Tente inferir o
sentido dos termos ao longo do texto.
·
Faça a segunda leitura, e se ainda tiver dúvidas
ou se achar que determinados termos estão dificultando a compreensão do texto
recorra a dicionários, tutores, professores, colegas do curso, internet.
·
Em fase
mais adiantada dos estudos, a preocupação principal é com a articulação das
idéias. Por isso, a necessidade de atentar para os conectores de idéias, ou
seja para as palavras que estabelecem as ligações entre termos, entre períodos,
parágrafos e entre as idéias.
·
Diante de
um texto, pode-se fazer experiência com relação ao que acaba de ser dito,
sublinhando as palavras que estabelecem os nexos coesivos.
·
Esquematize ou faça um mapa textual das idéias
principais do texto.
·
Elabore frases-resumo com base no que foi
sublinhado.
Atualmente as demandas por
leituras produtivas são uma necessidade, por isso, procure ler levando em conta
as práticas sociais, desenvolvendo habilidades e hábitos como: Lê com objetivo
determinado. Ex.: aprender certo assunto, repassar detalhes, responder a
questões, fazer resumos, resenhas, fichamentos etc.
- Pergunte-se freqüentemente: que sentido tem esse
conteúdo/tema para mim? Como esse tema é visto no senso comum e no
conhecimento científico? O autor está qualificado para escrever sobre tal
assunto? Ele está apresentando apenas um ponto de vista do problema? Qual
a idéia principal deste trecho? Quais são seus fundamentos?
- Ao entrar em contato com o texto a ser lido, a
primeira coisa a fazer é indagar de que trata, através do título,
sub-títulos encontrados na página de rosto e não apenas na capa.
·
Saiba que nem sempre é necessário ler um
livro até o final. Você deve saber quando pode interromper a leitura
definitivamente ou periodicamente.
- Procure distinguir entre as impressões subjetivas e
o valor objetivo das idéias defendidas, durante as discussões, interagindo
com colegas os textos lidos.
·
Não se limite a
ler somente os textos do curso. Para ser professor de qualquer área, inclusive
de Física, é necessário agir de forma interdisciplinar e até transdisciplinar,
lendo livros, revistas, jornais, de áreas diversas e de diversos gêneros:
ficção, ciência, literatura, fazendo constantemente buscas em sites na Internet
sobre temas interessantes, para conhecer os interesses e as necessidades dos
nossos alunos.
Para
concluir, gostaríamos de citar Nunes (apud ORLANDI, 1998), na opinião de quem o
sujeito se constitui como leitor ao ser considerado como aquele capaz da livre
determinação dos sentido e, aquele que ao ler se constitui, se representa, se
identifica, ao mesmo tempo que é constituído pela ideologia e submetido às
regras das instituições, apresentando uma forma-sujeito historicamente
determinada. Esta imagem de um sujeito-leitor é bem diferente da presente no
interior da escola atual, que concebe o sujeito como alguém que se relaciona
com a linguagem verbal e tem servido de fundamento para as metodologias de
leitura propostas.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares
nacionais: primeiro e segundo ciclos do Ensino Fundamental.
Brasília: MEC,1997.
CAVALCANTE, M A da S. et. al. Metodologia do Ensino
da Língua Portuguesa. Maceió: UFAL- Q-Gráfica, 2006.
KLEIMAN, A. Oficina de Leitura:
teoria & prática. Campinas, São Paulo: Pontes, 1992.
_______. Texto
e Leitor: aspectos
cognitivos da leitura. 4 ed. Campinas, São Paulo: Pontes, 1995.
ORLANDI, E.
P. Discurso e Leitura. 3. ed. Campinas, São Paulo: Editora da UNICAMP.
São Paulo: Cortez, 1998.
SOARES,
Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 2 ed. Belo Horizonte: Ed. Autêntica,
2002.
SOLIGO, R.;
VELIAGO, Condições a serem garantidas nas situações em que o professor lê para
os alunos. PROFA. Brasília, SEED/MEC, 2002.SOLINGO,R. Para ensinar a
ler. PROFA. Brasília: SEED/MEC, 2002.
[1]
“Os olhos se fixam num lugar do texto, (a fixação) para depois pular um trecho
(a sacada), e fixar-se num outro ponto mais adiante.” (KLEIMAN, 1992,p. 33).
Perguntas e questionamentos sobre o texto
1) No dicionário, identifique o significado das seguintes palavras:
a) Decodificar; b)Entrelinhas; c) Cognitiva; d) Inferido e) Conectores f) Nexos g) Coesão
h) Subjetivo i) Conceber
2)Em que consiste a atividade da leitura?
3)Faça um paralelo entre as opinioes sobre o que é a leitura, conforme Soares(2002), Kleiman (1992) e Nunes (apud ORLANDI,1998)
4)Quais são as 5 estrategias de leitura apontadas por Kleiman(1992)? O que elas significam?
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